CAPÍTULO 19

Mourad no décimo quinto andar recebeu César e Gabrielle apreensivo. O jovem puxou os dois para dentro da sala e fechou a porta.

– Acabaram de vir aqui procurando pelos invasores e pela bagagem de um hóspede que desapareceu! A situação não é nada boa, parece que assassinaram alguns dos conferencistas e os outros estão desaparecidos. Vocês são os principais suspeitos! Eles querem pegá-los antes que a polícia chegue!

Gabrielle adiantou-se – Nós vamos levar o sarcófago e escondê-lo em algum outro lugar seguro! – a idéia era seqüestrar o esquife e obter assim poder de barganha com o Professor Richard Wild, mais tarde trocariam a múmia por Milena.

Mourad não se opôs ao projeto, ele não fazia a segurança do sarcófago, apenas a manutenção dele, e queria ajudar César para que depois o ajudassem no resgate de sua irmã Sadeh que havia fugido para os arredores da pirâmide.

Todo equipamento que mantinha o sarcófago em condições apropriadas foi desmantelado. Seguir com tudo aquilo atrasaria demais a missão. Mourad desligou tudo e retirou com cuidado a proteção de vidro que resguardava o sarcófago. Agora eles estavam muito próximos fisicamente da múmia do Faraó Desconhecido.

Puseram com cuidado o esquife numa espécie de maca, uma mesinha com rodas, e deixaram a sala empurrando o agora bem menos pesado monumento. Esconderiam a múmia na lavanderia do hotel, que ficava no subsolo. Gabrielle já havia estudado a planta do hotel .

Enquanto esperavam o elevador de serviço, César passou a mão sobre a peça mortuária identificando aqueles símbolos, traduziu de maneira rudimentar os hieróglifos:

“A morte virá com asas ligeiras para aqueles que perturbarem o repouso do faraó”

A frase causou um mal estar em Gabrielle e Mourad, César sentiu-se constrangido com o momento errado para aquela tradução.

O elevador chegou sem que percebessem, quando a porta se abriu revelou a presença de Venkata Ramam, o antropólogo indiano.

Gabrielle que estava à frente de todos, próxima à porta, não conteve o susto ao ver o homem e agindo por instinto recuou o corpo, a violência do gesto fez com que ela se chocasse com sarcófago que desequilibrado foi ao chão. Por reflexo César jogou-se embaixo dele para minimizar o impacto do ataúde contra o piso.

O elevador fechou-se novamente levando dali o corpo de mais um cientista assassinado.

Mesmo com o esforço de César o sarcófago sentiu o baque da queda e seu tampo pesado soltou-se do esquife revelando o seu interior.

Ainda no chão César olhou para dentro dele, Mourad deu a volta na mesinha e fez o mesmo. A reação dos dois foi idêntica, permaneceram chocados e boquiabertos, quase apoplécticos com o que se revelara diante deles – Não pode ser verdade! Não acredito no que estou vendo...

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