– Esperava mais de você Srta. Milena Sampaio, bem mais... – na hora ela não soube se foi à voz ou a arrogância da frase antipática que revelou quem era o senhor daqueles acontecimentos no Bahiti Hotel.
– O senhor por aqui! – Milena virou-se confirmando com os olhos o que seus ouvidos já tinham lhe revelado – Sr. Egmar Martins de Alcântara! Não posso dizer que não é uma grande surpresa pra mim!
Seu sogro, ou ex-sogro entrou na sala com a altivez costumeira e inata. Vestia um terno indefectível e trazia uma valise na mão, portava-se formalmente como sempre. Seus cabelos grisalhos, quase brancos, denunciavam seus mais de sessenta anos de vida. Wild deixou a sala dando licença ao seu mantenedor.
Egmar aproximando-se passou a mão pela cintura de Milena e a conduziu gentilmente até a mesa principal da sala, sentaram-se.
Durante o curto percurso o cérebro de Milena inundado de mediadores químicos tentou juntar os fatos. Um lampejo revelou que ele não era apenas o mecenas do congresso, Egmar era também o novo acionista da revista em que trabalhava, a revista Vis-à-vis havia sido comprada há pouco tempo, o novo acionista era quem tinha, em viagem pelo Egito, descoberto a existência da pirâmide, ele mesmo tinha escolhido ela como repórter a ser enviada. As datas conferiam com a viagem que seu ex-sogro fez logo após seu aniversário. Ela precisava confirmar essas estranhas possibilidades.
Milena continuou como se Egmar estivesse ouvindo seus pensamentos – Mas a viagem do senhor foi há pouco tempo, só que a pirâmide já foi descoberta há quase uma década! Como pode...
Ele sorriu paciente, era a primeira vez que demonstrava alguma reação positiva a Milena – A pirâmide já conhecemos há tempos. Mas descobrimos há pouco tempo a Chave de Anúbis! Precisei viajar e vir pessoalmente conferir esse novo achado! – sorriu novamente, estava visivelmente satisfeito com aquilo – Eu faço questão de lhe esclarecer tudo! Você me surpreendeu minha jovem, acho que lhe devo ao menos uma boa explicação! E... Lena... é assim que meu filho a trata, não? – falou com um discreto deboche – Me diga, de que adianta o feito sem poder contar o seu efeito?
Infelizmente meu fillho Oscar não sabe desse meu hobby e não posso compartilhar com ele alguns dos meus melhores prodígios. – rio sozinho – Ele perde muito tempo com noivados fracassados! – riram os dois, ele irônico, ela nervosa.
Milena sentiu uma certa simpatia pelo seu execrável ex-sogro, agora que não tinham mais nenhum laço ela até poderia admirar alguns poucos traços da personalidade ímpar daquele homem.
Ele continuou enquanto tirava de sua valise um pequeno notebook, idêntico ao que ele mesmo dera a Milena na ocasião do seu aniversário – Gostou do presente que lhe dei? Achei que seria útil nessa viagem! Para um empresário ter êxito é necessário visão e logística, não sei se lhe adianta saber disso agora!
Ligou o notebook e continuou – Na verdade minha jovem, nunca gostei de você, sinceramente! Não queria ver meu filho envolvido com alguém que poderia, mais cedo ou mais tarde, se meter nos negócios da família e descobrir, digamos assim, alguns dos meus maus passos. – digitou a senha de acesso no pequeno computador – Comprei as ações da revista onde você trabalha, mas só demiti-la não resolveria meu problema, então pensei que a maldição do Faraó pudesse resolver esse impasse! – o olhar do homem tornou-se mais diabólico – No meio de tantos assassinatos quem ligaria para uma jornalista brasileira ainda desconhecida? Contratei até esse outro jornalista jovem e interessante para tentá-la! Funcionou direitinho... – riu balançando a cabeça – Ele... esse tal de César, não sabe de nada, não se preocupe! Quase tão bobo quanto meu filho. Você gosta de homens fracos, não é verdade!
– Tudo isso Sr. Egmar, só pra me separar do Oscar? Não posso acreditar! – Milena jogava os cabelos para trás com freqüência tentando desviar a tensão em alguns movimentos instintivos.
– Tudo isso não! Você não vale um terço desse esforço, não seja pretensiosa Srta. Sampaio! – o ar de deboche era para suscetibilizá-la – Foi, digamos assim, um pouco de coincidência, ou o destino agindo contra você. Eu tinha meus negócios aqui no Egito, os mais importantes da minha vida, e queria me livrar da noivinha do meu filho. Você deu azar!
Egmar mudou o tom de voz e suavizou novamente o olhar – Sempre fui um estudioso das pirâmides, minhas condições econômicas me permitiram desde garoto estar envolvido em excursões, viagens, expedições, enfim, os mistérios das pirâmides desde sempre me inspiraram, como se de certa forma eu estivesse destinado para isso.
No final dos anos 80, em um congresso sobre egiptologia, conheci o Professor Richard Wild, ele me fez revelações surpreendentes! A maioria das pessoas ignorou sua palestra, mas pra mim ela foi reveladora e brilhante!
Por um momento Milena esqueceu do clima que vivia e passou a prestar atenção no relato de Egmar, se sobrevivesse, sairia daquelas palavras a melhor reportagem de sua vida.
– O Professor Wild descobriu por volta de 1984, em seus estudos nas três maiores pirâmides, até então, as de Queóps, Quefrim e Miquerinos, indicações claras sobre a existência de uma “pirâmide mãe”, uma matriz de todas outras. Um código segmentado entre as três pirâmides revelava a localização da detentora de todas as respostas, de todo poder que uma pirâmide pode gerar! Uma história escondida que os próprios egípcios quiseram ocultar, mas deixaram algumas pistas que só agora conseguimos decifra-las por completo.
Os estudos inéditos de Wild precisavam, no entanto de um patrocinador, eu, por mais que acreditasse no que ele havia descoberto, não poderia arriscar milhões de dólares sozinho nessa aventura.
Foi então que criamos um consórcio com essas pessoas que estavam aqui no hotel em nosso congresso privado. Cerca de vinte sócios, que não eram os maiores, nem os mais conhecidos, ou os mais éticos cientistas, mas eram muito bons, agora eu sei o quanto eram bons! – riu ironicamente – Que Rá os tenha! Foi preciso eliminá-los, acredite, eles não tinham alcance suficiente para compreender nossos intuitos.
Eu liderei esse consórcio, e não foi, como pareceu a princípio, tão difícil encontrar a pirâmide matriz. Com as indicações fissionadas nas três pirâmides e mais a ajuda de satélites particulares, logo encontramos e a batizamos simploriamente como a Pirâmide do Faraó Desconhecido, já que nenhuma outra referência a ele, ou a seu reinado, jamais tinha sido encontrada antes, a não ser referências controversas e muito bem codificadas em alguns documentos, mas nunca ninguém levou a sério isso, no entanto a lenda era verdade!
O que pareceu fácil no começo, se revelou difícil depois. Essa pirâmide era muito maior que as outras encontradas, e seus sistemas de proteção eram, ou melhor, ainda são, de altíssima eficiência. Perdemos cerca de seis cientistas em terríveis armadilhas! Você conhece a frase: “A morte virá com asas ligeiras para aqueles que perturbarem o repouso do faraó!”?
Ela fitava o homem absorta completamente em seu relato.
– A insistência, e alguns milhares de dólares gastos nos fizeram encontrar meios de explorar o mausoléu do faraó. Mesmo assim as coisas continuaram amarradas. A grande Galeria da Ressurreição, por exemplo, não conseguimos abrir de forma alguma, claro, preservando ao máximo a pirâmide. No entanto, em duas outras galerias encontramos hieróglifos que indicavam...
Milena completou pretensiosa –... indicavam a localização perfeita, latitude e longitude, da Pedra Apical da Pirâmide, um arremate de cristal raro que é o ápice da pirâmide!
Ele riu satisfeito – Vejo que fez o tema de casa! Isso mesmo! Os hieróglifos indicavam onde encontraríamos essa pedra. Uma célula desse nosso consórcio ficou responsável por essa busca, e logo conseguiram encontrar a Pedra Apical que estava no Deserto do Atacama. – ele olhou-a em desafio - Você sabe também da Chave de Anúbis?
Os arquivos de Gabrielle falavam dessa chave, Milena arriscou – Sim, Anúbis, cabeça de chacal, o deus dos mortos e condutor as almas. Essa chave abriria a grande Galeria da Ressurreição. Só não faço idéia do que significa isso e porque é tão importante!
– Nós também recentemente localizamos essa chave, e ela já está na pirâmide, uma equipe deve estar desarmando as armadilhas nesse momento, logo devemos, enfim, abrir essa Galeria da Ressurreição. Ainda não sabemos o que ela esconde de fato! Não é maravilhoso?
Milena, minha jovem, você nem imagina a quantidade de informações que essa pirâmide retém. É algo jamais visto ou sonhado! A cada galeria que encontrávamos era uma nova surpresa. As paredes estão todas repletas de hieróglifos, milhares deles! Falam de tudo, filosofia, química, física, geometria, tecnologia avançada, ciências gerais, enfim, uma enciclopédia talhada! Existem manuais completos incrustados nas paredes que ensinam tecnologias que nunca sequer nossa humanidade ousou supor que existissem!
O Professor Wild já estava de volta à sala e ouvia a conversa, Milena nem o vira entrar. Mesmo querendo não interromper, ela não conteve sua curiosidade:
– Sim, essa descoberta é uma maravilha que já deveria ter sido partilhada com a humanidade! Dividir seria altruísmo demais para o senhor? Por que tudo isso agora? A Pedra Apical, a Chave de Anúbis? O que há por trás disso?
Egmar continuou, ainda tinha muito a revelar: – Pois é, pensamos já ter encontrado nosso maior tesouro, que seria aquele extenso legado talhado nas paredes. Já estava pronto para ostentar minha descoberta. – Egmar lembrou-se da presença de Wild na sala e retificou sua colocação – Digo, nossa descoberta. Porém há dois anos, mais precisamente no dia 08 de agosto, encontramos uma outra grande galeria surpreendente, agora havíamos encontrado a suntuosa Câmara do Faraó, onde estava depositada a verdadeira múmia do Faraó Desconhecido.
Uma maravilha absoluta em condições admiráveis, outra vez tínhamos obtido a glória! Nunca, em tempo algum da humanidade alguém tinha conseguido chegar tão longe quanto nós, eu não cabia em mim, você pode imaginar? – Egmar fez uma pausa para conter o entusiasmo que lhe acometia ao lembrar da descoberta – E foi nessa câmara que encontramos o maior presente de nossas vidas, e, no entanto, também encontramos o maior desafio delas.
Não podia conter-se, continuou ainda mais empolgado: – Os hieróglifos dessa câmara nos revelaram uma extraordinária façanha, a maior já vista! Porém seriam necessárias quatro variáveis para que concluíssemos o proposto.
Primeiro seria necessário encontrar a Pedra Apical que estava providencialmente escondida no Deserto do Atacama, e nós a encontramos! Segundo seria, encontrar a Chave de Anúbis que abriria a última galeria da pirâmide, já a encontramos também. Terceiro e logicamente o mais fácil era resguardar o esquife do Faraó até o momento adequado, nós o resguardamos, é o nosso maior tesouro. Por fim, e igualmente importante, deveríamos esperar por uma tempestade geomagnética sêrodia.
– Serôdia? – Milena entendeu que se tratava da tempestade solar, mas não entendia exatamente qual o significado de serôdia.
– Sim, temporã! – ele prosseguiu explicando – Normalmente acontecem duas tempestades solares por ano em hemisférios alternados, porém também ocorrem tempestades fora de época, quando acontecem explosões na superfície do sol. – ele deu mais um de seus sorrisos pontuais – Uma dessas explosões aconteceu e estamos vivendo uma das maiores tempestades magnéticas dos últimos séculos! Era o sinal que esperávamos já há algum tempo!
Mas antes que eu continue Milena, você precisa ouvir o que o Professor Wild descobriu, e que me fez investir tanto tempo e dinheiro em seu projeto! – ele virou-se para chamar o homem que estava em pé junto à porta – Venha Mr. Wild mostre a ela como me persuadiu!
Richard Wild inflou-se, sentia-se novamente como um professor na faculdade. Preferiu permanecer em pé e com eloqüência de quem tem o dom da oratória começou. Egmar abria em seu notebook alguns arquivos de fotos.
– Sem qualquer dúvida, o Egito guarda imensos segredos! Segredos que um dia revelados causarão uma profunda revolução em todos os campos do conhecimento e da razão humana. Mistérios e segredos que dizem respeito à própria gênese da nossa espécie. – ele parecia empolgado com o que dizia e sem dúvida sabia do que falava, diversos artigos seus haviam sido publicados nas mais respeitadas revistas do mundo.
Seu sogro, ou ex-sogro entrou na sala com a altivez costumeira e inata. Vestia um terno indefectível e trazia uma valise na mão, portava-se formalmente como sempre. Seus cabelos grisalhos, quase brancos, denunciavam seus mais de sessenta anos de vida. Wild deixou a sala dando licença ao seu mantenedor.
Egmar aproximando-se passou a mão pela cintura de Milena e a conduziu gentilmente até a mesa principal da sala, sentaram-se.
Durante o curto percurso o cérebro de Milena inundado de mediadores químicos tentou juntar os fatos. Um lampejo revelou que ele não era apenas o mecenas do congresso, Egmar era também o novo acionista da revista em que trabalhava, a revista Vis-à-vis havia sido comprada há pouco tempo, o novo acionista era quem tinha, em viagem pelo Egito, descoberto a existência da pirâmide, ele mesmo tinha escolhido ela como repórter a ser enviada. As datas conferiam com a viagem que seu ex-sogro fez logo após seu aniversário. Ela precisava confirmar essas estranhas possibilidades.
Milena continuou como se Egmar estivesse ouvindo seus pensamentos – Mas a viagem do senhor foi há pouco tempo, só que a pirâmide já foi descoberta há quase uma década! Como pode...
Ele sorriu paciente, era a primeira vez que demonstrava alguma reação positiva a Milena – A pirâmide já conhecemos há tempos. Mas descobrimos há pouco tempo a Chave de Anúbis! Precisei viajar e vir pessoalmente conferir esse novo achado! – sorriu novamente, estava visivelmente satisfeito com aquilo – Eu faço questão de lhe esclarecer tudo! Você me surpreendeu minha jovem, acho que lhe devo ao menos uma boa explicação! E... Lena... é assim que meu filho a trata, não? – falou com um discreto deboche – Me diga, de que adianta o feito sem poder contar o seu efeito?
Infelizmente meu fillho Oscar não sabe desse meu hobby e não posso compartilhar com ele alguns dos meus melhores prodígios. – rio sozinho – Ele perde muito tempo com noivados fracassados! – riram os dois, ele irônico, ela nervosa.
Milena sentiu uma certa simpatia pelo seu execrável ex-sogro, agora que não tinham mais nenhum laço ela até poderia admirar alguns poucos traços da personalidade ímpar daquele homem.
Ele continuou enquanto tirava de sua valise um pequeno notebook, idêntico ao que ele mesmo dera a Milena na ocasião do seu aniversário – Gostou do presente que lhe dei? Achei que seria útil nessa viagem! Para um empresário ter êxito é necessário visão e logística, não sei se lhe adianta saber disso agora!
Ligou o notebook e continuou – Na verdade minha jovem, nunca gostei de você, sinceramente! Não queria ver meu filho envolvido com alguém que poderia, mais cedo ou mais tarde, se meter nos negócios da família e descobrir, digamos assim, alguns dos meus maus passos. – digitou a senha de acesso no pequeno computador – Comprei as ações da revista onde você trabalha, mas só demiti-la não resolveria meu problema, então pensei que a maldição do Faraó pudesse resolver esse impasse! – o olhar do homem tornou-se mais diabólico – No meio de tantos assassinatos quem ligaria para uma jornalista brasileira ainda desconhecida? Contratei até esse outro jornalista jovem e interessante para tentá-la! Funcionou direitinho... – riu balançando a cabeça – Ele... esse tal de César, não sabe de nada, não se preocupe! Quase tão bobo quanto meu filho. Você gosta de homens fracos, não é verdade!
– Tudo isso Sr. Egmar, só pra me separar do Oscar? Não posso acreditar! – Milena jogava os cabelos para trás com freqüência tentando desviar a tensão em alguns movimentos instintivos.
– Tudo isso não! Você não vale um terço desse esforço, não seja pretensiosa Srta. Sampaio! – o ar de deboche era para suscetibilizá-la – Foi, digamos assim, um pouco de coincidência, ou o destino agindo contra você. Eu tinha meus negócios aqui no Egito, os mais importantes da minha vida, e queria me livrar da noivinha do meu filho. Você deu azar!
Egmar mudou o tom de voz e suavizou novamente o olhar – Sempre fui um estudioso das pirâmides, minhas condições econômicas me permitiram desde garoto estar envolvido em excursões, viagens, expedições, enfim, os mistérios das pirâmides desde sempre me inspiraram, como se de certa forma eu estivesse destinado para isso.
No final dos anos 80, em um congresso sobre egiptologia, conheci o Professor Richard Wild, ele me fez revelações surpreendentes! A maioria das pessoas ignorou sua palestra, mas pra mim ela foi reveladora e brilhante!
Por um momento Milena esqueceu do clima que vivia e passou a prestar atenção no relato de Egmar, se sobrevivesse, sairia daquelas palavras a melhor reportagem de sua vida.
– O Professor Wild descobriu por volta de 1984, em seus estudos nas três maiores pirâmides, até então, as de Queóps, Quefrim e Miquerinos, indicações claras sobre a existência de uma “pirâmide mãe”, uma matriz de todas outras. Um código segmentado entre as três pirâmides revelava a localização da detentora de todas as respostas, de todo poder que uma pirâmide pode gerar! Uma história escondida que os próprios egípcios quiseram ocultar, mas deixaram algumas pistas que só agora conseguimos decifra-las por completo.
Os estudos inéditos de Wild precisavam, no entanto de um patrocinador, eu, por mais que acreditasse no que ele havia descoberto, não poderia arriscar milhões de dólares sozinho nessa aventura.
Foi então que criamos um consórcio com essas pessoas que estavam aqui no hotel em nosso congresso privado. Cerca de vinte sócios, que não eram os maiores, nem os mais conhecidos, ou os mais éticos cientistas, mas eram muito bons, agora eu sei o quanto eram bons! – riu ironicamente – Que Rá os tenha! Foi preciso eliminá-los, acredite, eles não tinham alcance suficiente para compreender nossos intuitos.
Eu liderei esse consórcio, e não foi, como pareceu a princípio, tão difícil encontrar a pirâmide matriz. Com as indicações fissionadas nas três pirâmides e mais a ajuda de satélites particulares, logo encontramos e a batizamos simploriamente como a Pirâmide do Faraó Desconhecido, já que nenhuma outra referência a ele, ou a seu reinado, jamais tinha sido encontrada antes, a não ser referências controversas e muito bem codificadas em alguns documentos, mas nunca ninguém levou a sério isso, no entanto a lenda era verdade!
O que pareceu fácil no começo, se revelou difícil depois. Essa pirâmide era muito maior que as outras encontradas, e seus sistemas de proteção eram, ou melhor, ainda são, de altíssima eficiência. Perdemos cerca de seis cientistas em terríveis armadilhas! Você conhece a frase: “A morte virá com asas ligeiras para aqueles que perturbarem o repouso do faraó!”?
Ela fitava o homem absorta completamente em seu relato.
– A insistência, e alguns milhares de dólares gastos nos fizeram encontrar meios de explorar o mausoléu do faraó. Mesmo assim as coisas continuaram amarradas. A grande Galeria da Ressurreição, por exemplo, não conseguimos abrir de forma alguma, claro, preservando ao máximo a pirâmide. No entanto, em duas outras galerias encontramos hieróglifos que indicavam...
Milena completou pretensiosa –... indicavam a localização perfeita, latitude e longitude, da Pedra Apical da Pirâmide, um arremate de cristal raro que é o ápice da pirâmide!
Ele riu satisfeito – Vejo que fez o tema de casa! Isso mesmo! Os hieróglifos indicavam onde encontraríamos essa pedra. Uma célula desse nosso consórcio ficou responsável por essa busca, e logo conseguiram encontrar a Pedra Apical que estava no Deserto do Atacama. – ele olhou-a em desafio - Você sabe também da Chave de Anúbis?
Os arquivos de Gabrielle falavam dessa chave, Milena arriscou – Sim, Anúbis, cabeça de chacal, o deus dos mortos e condutor as almas. Essa chave abriria a grande Galeria da Ressurreição. Só não faço idéia do que significa isso e porque é tão importante!
– Nós também recentemente localizamos essa chave, e ela já está na pirâmide, uma equipe deve estar desarmando as armadilhas nesse momento, logo devemos, enfim, abrir essa Galeria da Ressurreição. Ainda não sabemos o que ela esconde de fato! Não é maravilhoso?
Milena, minha jovem, você nem imagina a quantidade de informações que essa pirâmide retém. É algo jamais visto ou sonhado! A cada galeria que encontrávamos era uma nova surpresa. As paredes estão todas repletas de hieróglifos, milhares deles! Falam de tudo, filosofia, química, física, geometria, tecnologia avançada, ciências gerais, enfim, uma enciclopédia talhada! Existem manuais completos incrustados nas paredes que ensinam tecnologias que nunca sequer nossa humanidade ousou supor que existissem!
O Professor Wild já estava de volta à sala e ouvia a conversa, Milena nem o vira entrar. Mesmo querendo não interromper, ela não conteve sua curiosidade:
– Sim, essa descoberta é uma maravilha que já deveria ter sido partilhada com a humanidade! Dividir seria altruísmo demais para o senhor? Por que tudo isso agora? A Pedra Apical, a Chave de Anúbis? O que há por trás disso?
Egmar continuou, ainda tinha muito a revelar: – Pois é, pensamos já ter encontrado nosso maior tesouro, que seria aquele extenso legado talhado nas paredes. Já estava pronto para ostentar minha descoberta. – Egmar lembrou-se da presença de Wild na sala e retificou sua colocação – Digo, nossa descoberta. Porém há dois anos, mais precisamente no dia 08 de agosto, encontramos uma outra grande galeria surpreendente, agora havíamos encontrado a suntuosa Câmara do Faraó, onde estava depositada a verdadeira múmia do Faraó Desconhecido.
Uma maravilha absoluta em condições admiráveis, outra vez tínhamos obtido a glória! Nunca, em tempo algum da humanidade alguém tinha conseguido chegar tão longe quanto nós, eu não cabia em mim, você pode imaginar? – Egmar fez uma pausa para conter o entusiasmo que lhe acometia ao lembrar da descoberta – E foi nessa câmara que encontramos o maior presente de nossas vidas, e, no entanto, também encontramos o maior desafio delas.
Não podia conter-se, continuou ainda mais empolgado: – Os hieróglifos dessa câmara nos revelaram uma extraordinária façanha, a maior já vista! Porém seriam necessárias quatro variáveis para que concluíssemos o proposto.
Primeiro seria necessário encontrar a Pedra Apical que estava providencialmente escondida no Deserto do Atacama, e nós a encontramos! Segundo seria, encontrar a Chave de Anúbis que abriria a última galeria da pirâmide, já a encontramos também. Terceiro e logicamente o mais fácil era resguardar o esquife do Faraó até o momento adequado, nós o resguardamos, é o nosso maior tesouro. Por fim, e igualmente importante, deveríamos esperar por uma tempestade geomagnética sêrodia.
– Serôdia? – Milena entendeu que se tratava da tempestade solar, mas não entendia exatamente qual o significado de serôdia.
– Sim, temporã! – ele prosseguiu explicando – Normalmente acontecem duas tempestades solares por ano em hemisférios alternados, porém também ocorrem tempestades fora de época, quando acontecem explosões na superfície do sol. – ele deu mais um de seus sorrisos pontuais – Uma dessas explosões aconteceu e estamos vivendo uma das maiores tempestades magnéticas dos últimos séculos! Era o sinal que esperávamos já há algum tempo!
Mas antes que eu continue Milena, você precisa ouvir o que o Professor Wild descobriu, e que me fez investir tanto tempo e dinheiro em seu projeto! – ele virou-se para chamar o homem que estava em pé junto à porta – Venha Mr. Wild mostre a ela como me persuadiu!
Richard Wild inflou-se, sentia-se novamente como um professor na faculdade. Preferiu permanecer em pé e com eloqüência de quem tem o dom da oratória começou. Egmar abria em seu notebook alguns arquivos de fotos.
– Sem qualquer dúvida, o Egito guarda imensos segredos! Segredos que um dia revelados causarão uma profunda revolução em todos os campos do conhecimento e da razão humana. Mistérios e segredos que dizem respeito à própria gênese da nossa espécie. – ele parecia empolgado com o que dizia e sem dúvida sabia do que falava, diversos artigos seus haviam sido publicados nas mais respeitadas revistas do mundo.
- Eu sempre fui extremamente intrigado com a forma inexplicável com que as coisas aconteceram no Egito Antigo. A Grande Pirâmide, por exemplo, ela é o monumento mais pesado já construído pelo homem com uma massa de 31.200.000 toneladas distribuída em 2.600.000 blocos gigantescos de rocha, cada um pesando entre 2,5 toneladas e alguns com até mais de 11 toneladas, e tudo isso realizado em cerca de vinte anos apenas. Não é preciso ser muito bom em matemática pra entender que é humanamente impossível entalhar, trazer e edificar mais de trezentos blocos por dia! Ainda que fossem 100 mil empregados nestas duas décadas. Olhe que eu não falei de suas amplitudes matemáticas complexas e sua engenharia e arquitetura indefectíveis.
Egmar desviou-lhe a atenção para uma imagem no computador.
– Veja isso Milena! É incrível, não? – ela devorou as imagens com os olhos.
Wild prosseguiu: – Veja isso, são painéis encontrados nos subterrâneos do templo de Denderah, aqui mesmo no Egito! O que lhe parece isso? Não é inegável que são lâmpadas? Veja nos murais, filamentos, fios, soquetes, baterias, bulbos... Há inúmeros fatos que comprovam que os egípcios já conheciam e usavam a energia elétrica. Eu poderia, se houvesse tempo e interesse, lhe apresentar minha tese inteira sobre esses fatos aparentemente sem explicação...
- Não fomos nós quem invetamos isso Milena! Nada disso! - Egmar ia trocando as imagens do monitor que confirmavam o que eles iam dizendo.
– De onde teria surgido tantas maravilhas? Tanta tecnologia? Quem ensinou isso aos egípcios? Ou melhor, quem entregou isso a eles?
E se isso não for o suficiente, em Saccara, na Tumba de Ptah-Hetep, da Quinta Dinastia Egípcia, existe algo bastante atípico neste painel!
Milena olhou no monitor outra foto.
Ela permaneceu atenta, mas contida, preferiu não opinar sobre as revelações que eram feitas. Estava muito cedo para formar uma opinião crítica acerca do que via e ouvia. A imagem dessa vez era menos nítida. Wild prosseguiu.
– Na extremidade inferior esquerda, apesar de não muito nítido, perceba que há uma criatura sendo cultuada pelos antigos egípcios! Essa seria uma divindade totalmente desconhecida! E embasado nos meus estudos e de mais de uma dezena de outros pesquisadores eu lhe garanto sem ser especulativo que se trata certamente um ser alienígena.
Milena inquietou-se com o andamento da conversa, sempre ouvira e achava absurdas as idéias sobre tecnolgia alienígena realcionada as pirâmides, no entanto Wild continuava empolgado: – Agora veja moça esse outro mural de época e lugar distinto!
Egmar trocou a foto.
Wild prosseguiu: – Agora mais nitido, mas trata-se da mesma criatura sendo cultuada, adorada da mesma forma! No painel fica claro que eram oferecidos sacrifícios e oferendas para essa estranha divindade. Observe os olhos negros, a túnica, o braço...
Wild prosseguiu: – Agora mais nitido, mas trata-se da mesma criatura sendo cultuada, adorada da mesma forma! No painel fica claro que eram oferecidos sacrifícios e oferendas para essa estranha divindade. Observe os olhos negros, a túnica, o braço...

Egmar apontou para uma parte na foto: – Não é mesmo fantástico isso? Essa criatura bizarra, o seu braço, seus olhos...
Como num dueto os dois se revezavam, Wild continuou – Agora eu apelo para seu bom senso. Compare as duas representações nos murais pertencentes a dois lugares e a dois períodos históricos completamente distintos. Tire você mesma suas próprias conclusões. Essas duas criaturas ojerizantes não são absolutamente análogas? Embasado nos estudos de toda minha vida, e sem margem de erro eu afirmo com veemência que se tratam de dois seres alienígenas, ou melhor, é o mesmo ser vivendo em dois períodos diferentes!! – concluiu Wild.
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