– Estão esperando a senhorita! – o porteiro já a conhecia. O jovem com no máximo 25 anos era sempre muito solicito com ela e abriu um sorriso profissional, de soslaio a admirou odentro do seu finíssimo e sensual vestido de estampas orientais que usava combinado infinitamente com seu rosto e com seus cabelos negros que se escorriam até a metade das costas.
Olhou no relógio, já eram duas e quinze da madrugada, tinha demorado mais tempo que o previsto. O elevador a conduziu direto ao sexto andar de um único apartamento. No elegante hall ela era ansiosamente aguardada.
Assim que o elevador se abriu os dois pareciam a devorar com os olhos. Esperavam por alguma notícia. Ela havia propositalmente deixado o telefone celular desligado, não quis dar a notícia assim, preferia receber os cumprimentos pessoalmente.
Permaneceu na porta sem qualquer expressão no rosto, aumentando a expectativa deles. Por alguns segundos o silêncio foi absoluto.
Enrolou os cabelos na nuca e terminou com o suspense – Onde foi mesmo que eu deixei meu passaporte? – ela havia conseguido, tudo tinha saído como o esperado por eles. Os três pularam abraçados como que tivessem ganhado a Copa do Mundo. O champanhe já estava esperando pela comemoração.
– Conte como foi! Porque demorou tanto assim? – a pergunta partia de uma mulher muito elegante. Com quarenta e três anos exibia um corpo de vinte, que arrebatava desejo e inveja por onde passava.
A jovem sorriu enquanto entornava a taça, terminado num gole único o champanhe – Foi mais difícil do que imaginei, mas consegui enrolar o velho babão. – ela fez sinal para o outro jovem que estava na sala, e ele encheu prontamente sua taça – Incrível, foi exatamente como você disse. Bastou eu tocar em seu nome, que ele perdeu completamente o senso! – todos riram – Foi devastador! - Totila comemorava, na companhia de seu namorado Rômulo Portinho e de sua mecenas Estela Campos. A jovem japonesa saboreava antecipadamente a viagem que faria ao Egito.
– Eu conheço o Armindo Morales como a palma da minha mão, dez anos casada com ele me deram know-how. Tinha certeza que se dissesse que o César ainda trabalhava comigo na Co-fator, ele perderia o controle. Não passaria pela cabeça dele que isso é uma armação! Tolo pretensioso! Vai ter o que merece.
Estela Campos era uma mulher perigosa. Com uma inteligência acima da média, conduzia com mão de ferro a revista Co-fator e não hesitava em lançar mão de qualquer expediente para conseguir o que queria. Era conhecida nos bastidores do jornalismo como “Barracuda”, alusão ao peixe agressivo e voraz e de carne tóxica.
Há cerca de um ano que a revista Vis-à-vis tinha alcançado o topo de tiragem ocupando um lugar que antes pertencia à revista Co-fator, isso causava a Estela grande desgosto e amargura. Não admitia perder, ainda mais para Morales, seu ex-marido. Ela planejava há muito tempo o momento da virada, e esse momento havia chegado.
Dois meses atrás numa reunião íntima para amigos ela conheceu Totila Kochi, a jovem colunista que despontava na revista rival, a jovem descerebrada que sabia escrever graciosamente. Certamente seria mal aproveitada por Morales.
Estela viu nos olhos de Totila uma ambição latente que nas mãos de Estela se transformou numa ânsia desesperada por poder e fama.
Rômulo Portinho, namorado de Totila na verdade tinha um envolvimento secreto com Estela há cinco anos. Rômulo Portinho era um modelo quase indefectível. Seu rosto anguloso e marcante de feições bem masculinas, e seu corpo esculpido por horas diárias de academia,fizeram dele um sucesso no ano anterior, no entanto já havia passado seus quinze minutos de fama. Agora ele almejava a carreira de ator, com um pouco de estudo e sorte não se sairia tão mal.
Por sorte Estela estava ali para manter seu alto padrão de vida. Ele havia sido o motivo da separação dela com o Sr. Morales, embora ninguém, além deles, soubesse de nada. Estela fazia questão que o romance fosse sigiloso.
Aproveitando-se da boa figura de Rômulo, não foi difícil seduzir Totila, embora ela fosse conhecida como uma devoradora de homens, não passava de uma carente mal amada. Sob a orientação de Estela, Rômulo se tornara um homem irresistível.
Totila não era propriamente ingênua, sabia que estava jogando alto e que já não podia mais voltar atrás. Mesmo sendo verdadeiramente amiga de Milena, preferiu arriscar-se em busca de projeção na carreira. Milena tinha talento e teria novas oportunidades, já ela...
O plano de Estela, e seus cúmplices, era desestabilizar a matéria de Morales e roubar a exclusividade sobre a história que estava se passando no Egito. Estela, por via das dúvidas, viajaria junto com Totila para o Egito, ainda manteriam sob sigilo o pacto entre elas. Estela ficaria por perto gerindo e observando tudo, na hora certa daria um grande xeque-mate na Vis-à-vis e na carreira de Morales. Retomaria o prestigio de sua revista e ainda humilharia o ex-marido.
Estela teve que agüentar os beijos quentes de Totila e Rômulo. Um preço que pagava com gosto – os fins justificam os meios – pensava legitimando suas atitudes pouco éticas.
A entrada no Egito estava restrita, mas isso não seria um problema, não para Estela Campos. Sendo uma velha conhecida do Cônsul Egípcio, ela sabia como ninguém impingir trocas de influência.
Passou o resto da madrugada ao telefone organizando os detalhes da viagem. Seus colaboradores já sabiam que para Estela Campos não havia horário até que seus desejos e caprichos fossem devidamente atendidos e saciados.
Os escandalosos ruídos concupiscentes que vinham do quarto de hóspedes onde Rômulo e Totila tinham se recolhido quase tiraram Estela do sério, conteve-se, não poria tudo a perder a essa altura do campeonato.
Estela reavaliou a utilidade de Totila, realmente agora a jovem oriental não teria muita serventia, mas como o custo de sua manutenção era baixo, preferiu mantê-la por mais algum tempo no esquema.
Antes de o sol nascer Farid Ahmeneston, o Cônsul Egípcio retornou a ligação, já estava tudo acertado. O preço seria uma reportagem de temanho razoável sobre a eficiente condução do consulado egípcio no Brasil em troca dos vistos. Um bom negócio para ambos.
Ainda não era meio-dia quando partiram em direção ao Cairo. Deixaram o espaço aéreo brasileiro num vôo particular taxiado. Totila e Estela iam sentadas ao fundo da aeronave acertando detalhes da viagem. Rômulo, incluído na última hora nos planos de Estela, regozijava-se na cabine de controle. Como uma criança aliciada pelo comandante brincava de co-piloto. Chegariam ao destino ainda no fim daquele dia.
Olhou no relógio, já eram duas e quinze da madrugada, tinha demorado mais tempo que o previsto. O elevador a conduziu direto ao sexto andar de um único apartamento. No elegante hall ela era ansiosamente aguardada.
Assim que o elevador se abriu os dois pareciam a devorar com os olhos. Esperavam por alguma notícia. Ela havia propositalmente deixado o telefone celular desligado, não quis dar a notícia assim, preferia receber os cumprimentos pessoalmente.
Permaneceu na porta sem qualquer expressão no rosto, aumentando a expectativa deles. Por alguns segundos o silêncio foi absoluto.
Enrolou os cabelos na nuca e terminou com o suspense – Onde foi mesmo que eu deixei meu passaporte? – ela havia conseguido, tudo tinha saído como o esperado por eles. Os três pularam abraçados como que tivessem ganhado a Copa do Mundo. O champanhe já estava esperando pela comemoração.– Conte como foi! Porque demorou tanto assim? – a pergunta partia de uma mulher muito elegante. Com quarenta e três anos exibia um corpo de vinte, que arrebatava desejo e inveja por onde passava.
A jovem sorriu enquanto entornava a taça, terminado num gole único o champanhe – Foi mais difícil do que imaginei, mas consegui enrolar o velho babão. – ela fez sinal para o outro jovem que estava na sala, e ele encheu prontamente sua taça – Incrível, foi exatamente como você disse. Bastou eu tocar em seu nome, que ele perdeu completamente o senso! – todos riram – Foi devastador! - Totila comemorava, na companhia de seu namorado Rômulo Portinho e de sua mecenas Estela Campos. A jovem japonesa saboreava antecipadamente a viagem que faria ao Egito.
– Eu conheço o Armindo Morales como a palma da minha mão, dez anos casada com ele me deram know-how. Tinha certeza que se dissesse que o César ainda trabalhava comigo na Co-fator, ele perderia o controle. Não passaria pela cabeça dele que isso é uma armação! Tolo pretensioso! Vai ter o que merece.
Estela Campos era uma mulher perigosa. Com uma inteligência acima da média, conduzia com mão de ferro a revista Co-fator e não hesitava em lançar mão de qualquer expediente para conseguir o que queria. Era conhecida nos bastidores do jornalismo como “Barracuda”, alusão ao peixe agressivo e voraz e de carne tóxica.
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Há cerca de um ano que a revista Vis-à-vis tinha alcançado o topo de tiragem ocupando um lugar que antes pertencia à revista Co-fator, isso causava a Estela grande desgosto e amargura. Não admitia perder, ainda mais para Morales, seu ex-marido. Ela planejava há muito tempo o momento da virada, e esse momento havia chegado.
Dois meses atrás numa reunião íntima para amigos ela conheceu Totila Kochi, a jovem colunista que despontava na revista rival, a jovem descerebrada que sabia escrever graciosamente. Certamente seria mal aproveitada por Morales.
Estela viu nos olhos de Totila uma ambição latente que nas mãos de Estela se transformou numa ânsia desesperada por poder e fama.
Rômulo Portinho, namorado de Totila na verdade tinha um envolvimento secreto com Estela há cinco anos. Rômulo Portinho era um modelo quase indefectível. Seu rosto anguloso e marcante de feições bem masculinas, e seu corpo esculpido por horas diárias de academia,fizeram dele um sucesso no ano anterior, no entanto já havia passado seus quinze minutos de fama. Agora ele almejava a carreira de ator, com um pouco de estudo e sorte não se sairia tão mal.
Por sorte Estela estava ali para manter seu alto padrão de vida. Ele havia sido o motivo da separação dela com o Sr. Morales, embora ninguém, além deles, soubesse de nada. Estela fazia questão que o romance fosse sigiloso.
Aproveitando-se da boa figura de Rômulo, não foi difícil seduzir Totila, embora ela fosse conhecida como uma devoradora de homens, não passava de uma carente mal amada. Sob a orientação de Estela, Rômulo se tornara um homem irresistível.
Totila não era propriamente ingênua, sabia que estava jogando alto e que já não podia mais voltar atrás. Mesmo sendo verdadeiramente amiga de Milena, preferiu arriscar-se em busca de projeção na carreira. Milena tinha talento e teria novas oportunidades, já ela...
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O plano de Estela, e seus cúmplices, era desestabilizar a matéria de Morales e roubar a exclusividade sobre a história que estava se passando no Egito. Estela, por via das dúvidas, viajaria junto com Totila para o Egito, ainda manteriam sob sigilo o pacto entre elas. Estela ficaria por perto gerindo e observando tudo, na hora certa daria um grande xeque-mate na Vis-à-vis e na carreira de Morales. Retomaria o prestigio de sua revista e ainda humilharia o ex-marido.
Estela teve que agüentar os beijos quentes de Totila e Rômulo. Um preço que pagava com gosto – os fins justificam os meios – pensava legitimando suas atitudes pouco éticas.
A entrada no Egito estava restrita, mas isso não seria um problema, não para Estela Campos. Sendo uma velha conhecida do Cônsul Egípcio, ela sabia como ninguém impingir trocas de influência.
Passou o resto da madrugada ao telefone organizando os detalhes da viagem. Seus colaboradores já sabiam que para Estela Campos não havia horário até que seus desejos e caprichos fossem devidamente atendidos e saciados.
Os escandalosos ruídos concupiscentes que vinham do quarto de hóspedes onde Rômulo e Totila tinham se recolhido quase tiraram Estela do sério, conteve-se, não poria tudo a perder a essa altura do campeonato.
Estela reavaliou a utilidade de Totila, realmente agora a jovem oriental não teria muita serventia, mas como o custo de sua manutenção era baixo, preferiu mantê-la por mais algum tempo no esquema.
Antes de o sol nascer Farid Ahmeneston, o Cônsul Egípcio retornou a ligação, já estava tudo acertado. O preço seria uma reportagem de temanho razoável sobre a eficiente condução do consulado egípcio no Brasil em troca dos vistos. Um bom negócio para ambos.
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Ainda não era meio-dia quando partiram em direção ao Cairo. Deixaram o espaço aéreo brasileiro num vôo particular taxiado. Totila e Estela iam sentadas ao fundo da aeronave acertando detalhes da viagem. Rômulo, incluído na última hora nos planos de Estela, regozijava-se na cabine de controle. Como uma criança aliciada pelo comandante brincava de co-piloto. Chegariam ao destino ainda no fim daquele dia.
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