CAPÍTULO 25

Mourad, você tem que acessar a internet e passar essas informações incongruentes sobre a múmia do Faraó Desconhecido para o Murilo, nosso assistente no Brasil, juntos tentem descobrir alguma coisa, talvez se conseguirmos dados relevantes possamos provar a culpa desses bandidos e ainda salvar nossas vidas! – as palavras persuasivas de Milena não saíram da cabeça de Mourad, logo que o dia amanheceu ele já estava novamente envolvido na trama do faraó. Seu pai Mes Jarha tinha acabado de lhe entregar o notebook de Milena.

Logo que o dia começou ele foi ao restaurante na Torre do Cairo, um dos pontos mais altos da cidade e que contava com uma moderna e sofisticada conexão a internet, nem mesmo o aeroporto Internacional tinha uma rede tão limpa e sofisticada, ainda que as conexões wireless não fossem as mais seguras e indicadas para aquele tipo de atividade.

Como ainda não era horário de maior movimento, o jovem encontrou uma mesa discreta do restaurante. Pediu uma refeição leve, que ainda assim comprometeria boa parte do seu orçamento.

***

Mourad acessou sôfregamente a rede mundial de computadores e enviou um e-mail lacônico a Murilo, era necessária uma identificação positiva, César havia pedido o máximo de zelo possível na comunicação entre eles. Não levou cinco minutos e Murilo respondeu a mensagem, Mourad respirou aliviado, ele estava on-line.

Valeram-se de um canal de voz para agilizar a comunicação, poderiam assim conversar enquanto trocavam arquivos e informações de mídias diversas. Os dois falavam inglês fluentemente, o que viabilizou a conversa apesar da tempestade solar.

Murilo estava desconfiado e confuso, a história de que a revista Co-Fator tentaria roubar a matéria tinha posto ele em alerta máximo.

– Meu nome é Mourad, espero que você tenha tempo, a história que preciso te contar é longa e quase sem nexo algum! – o jovem egípcio teria problemas em conquistar a confiança de Murilo.

Murilo ficou desapontado em saber que não era uma egípcia no outro lado do computador, ele dividia sua frustração sexual com a excitação por estar sendo finalmente solicitado. Mourad estava pouco amistoso e impacientou-se com os delírios quase adolescentes do brasileiro.

Murilo sentiu que tinha entrado num terreno minado, mesmo sem entender a reação preferiu mudar o tom do conversa – carinha esquentado! – pensou enquanto acomodava o fone num dos ouvidos, logo a redação estaria lotada e seria mais difícil a conversa.

– Estou passando por e-mail todo material que tenho comigo, enquanto transmito vou explicando o que aconteceu por aqui. Tudo isso é muito confidencial, não comente nem mostre nada desse material pra ninguém! Tem gente aqui correndo sério risco de morte! É melhor deixarmos tudo em sigilo por enquanto. – Mourad tinha assumido em definitivo o controle efetivo da coalizão.

Os arquivos iam chegando e Murilo ficando cada vez mais estimulado com as revelações que lhe iam sendo feitas. Depois de algum tempo de conversa os dois conseguiam, enfim, estabelecer uma relação de maior confiança.

– Cara, isso tudo é muito estranho mesmo. Você deve ser fera pra descobrir que o sarcófago foi adulterado! – a empolgação de Murilo era transmitida pelo seu tom de voz.

Mourad reconheceu a boa eloqüência e postura vocal do brasileiro. A voz de Murilo tinha um bom posicionamento para trabalhos em televisão ou rádio, já que era essa sua profissão. A admiração foi um novo passo em direção ao entendimento entre eles.

– Eu acho que não entendi! – Murilo fez nova pausa tensa – Esse último e-mail que você mandou, eu não entendi. É uma ultra-sonografia?

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