CAPÍTULO 27

Observando os movimentos na tenda principal puderam confirmar as informações de Kaled. Egmar, o Professor e Disebek Djau, juntos com mais dois rebeldes, logo entrariam em expedição pela pirâmide para tentar encontrar Gabrielle, a pedra Apical e principalmente a múmia do Faraó Desconhecido.

Apesar de Egmar ser o grande entusiasta da descoberta, era a primeira vez que ele entraria pessoalmente no monumento. Egmar sempre evitara aquele encontro. Além das lendas terríveis, de fato o lugar estava infestado por armadilhas mortais. Diversos sócios do consórcio tinham perdido suas vidas de maneira torpe naquelas galerias e corredores sombrios. Mesmo tomado de medo ele tinha urgência em encontrar Gabrielle, não sabia o que a italiana pretendia.

O Professor Wild acreditava que ela ressuscitaria o alien tipo Gray e assim desfrutaria de alguma maneira de seus benefícios, se ela tivesse o tino e a genialidade de seu pai Giuseppe certamente começaria logo o rito.

Egmar e Mr. Wild não sabiam ao certo como funcionariam as coisas depois do ritual de ressurreição. A tradução dos hieróglifos era lacônica quanto a isso e só tinha revelado o processo até o momento em que a carga de energia solar potencializada pelo cristal deveria reanimar o faraó trazendo-o de volta a vida, depois disso, tudo não passava de uma notável e assustadora especulação.

Os rebeldes escalados que seguiam com eles já conheciam a pirâmide e tinham como guiá-los de forma mais segura e a salvo das armadilhas, mesmo porque quase todas já deveriam estar desarmadas.

O Professor Wild já havia visitado várias vezes o sítio da pirâmide, mas também evitava ao máximo entrar nela. Ele estudava tudo através dos objetos, das fotos e das imagens colhidas por outros pesquisadores do consórcio. Mesmo tendo certa experiência no assunto, estava igualmente nervoso.

Além dos perigos eminentes que a pirâmide trazia, Wild temia a astúcia de Gabrielle. Ele não entendia como aquela menina pode ter sobrevivido, Wild não era supersticioso, mas pensou relutante na possibilidade da menina ser uma protegida dos deuses egípcios, acabou desviando seus pensamentos, mas deixou mesmo irracionalmente essa possibilidade em aberto.

Disebek Djau, o último peregrino, mantinha-se calmo e sereno. Talvez,por ser o mais bem preparado fisicamente para jornada sentia-se em vantagem em relação aos outros. Ele imaginava que Gabrielle não faria grandes estragos, e se fizesse pouco lhe importava, não ansiava ver nenhuma aberração voltando à vida, suas motivações eram outras. Ele queria ver o quanto isso tudo lhe renderia monetariamente.

Milena absorta nessas observações nem percebeu quando levaram grosseiramente Gael para a barraca principal.

– Pra mim esse velho esconde alguma coisa! Que tipo atividade acontece lá? - divagou César sem pretensão de obter respostas.

***

Do outro lado do acampamento a expedição partia com seus cinco integrantes. Eles levavam consigo material específico para aquele tipo de jornada. Deram à volta na pirâmide e desapareceram ao longe, a entrada ficava do lado oposto ao que estavam.

O sol começava a se pôr, e a temperatura já começava sua queda, geralmente brusca. Milena ficou muito frustrada em não poder acompanhá-los a pirâmide, via-se de mãos e pés atados por não ter articulado nenhum plano para tirá-los dali.

César, no entanto, estava com a atenção voltada para a barraca de Disebek Djau. Um estranho acontecimento tinha o intrigado ainda mais, reforçando suas suspeitas.

– Acabaram de levar o jantar para a tenda de Disebek Djau, estranho porque ele já partiu para pirâmide! – César olhou para Milena que tentava acompanhar seu raciocínio. – Acho que sei o paradeiro de Sadeh, acho que ela está presa lá dentro daquela barraca!

Sadeh era uma jovem bonita, poderia perfeitamente estar sendo mantida sob cárcere para fins facilmente imagináveis.

– Eu vou lá hoje à noite! Prometi a Mourad, que iria ajudá-la, e Cassiana também deve estar se sentindo responsável, sem contar seu pai Mes Jarha,! – terminou a frase executando seu conhecido cacoete de empurrar os óculos no nariz. Foram tantas pessoas citadas que os argumentos contrários de Milena pareceriam mesquinhos.

À noite quando a vigilância ficaria mais frágil ele tentaria uma aproximação.

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