Ficaram mais de um dia sem conseguir novo contato, tinham interrompido a conversa num momento crítico, a troca de informações estava no nível mais intenso quando o link foi perdido. A tempestade era cruel e estava complicando também a comunicação em boa parte do mundo, nunca fora tão intensa e tão duradoura.
Murilo permaneceu insone todo tempo, analisava e re-analisava os e-mails, ouvia a voz de Mourad ecoando em sua cabeça – O tal Faraó Desconhecido, é provavelmente, um tipo de alienígena, eu vi Murilo, ninguém me contou! – ele desejava ardentemente estar do outro lado do oceano vivenciando tudo aquilo ao lado de Mourad. Apesar de indiretamente envolvido, queria mais, seu corpo continuava no Brasil, mas passava às 24 horas do dia com o pensamento no Egito.
O silvo do computador avisando um novo e-mail foi como o canto da sereia, encantou Murilo e remeteu o jovem aquele mundo fantástico que Mourad lhe trazia. Estavam novamente conectados, agora não só em pensamento.
– Pô Mourad, que demora! Não faz mais assim comigo cara!
Do outro lado Mourad abriu a guarda ao ouvir Murilo reclamando por sua presença. O jeito meio bronco e despojado do brasileiro tinha lhe cativado e desfeito as primeiras impressões – Não conectei antes porque não deu! As conexões aqui são quase um milagre! Mas me diga, assimilou tudo que eu disse antes?
– Fala isso como se tivesse me contado a coisa mais corriqueira do mundo, você faz idéia, se for mesmo verdade isso! É nitroglicerina pura! – Murilo permanecia com a mesma empolgação na voz.
– C3H5(NO2)3!
– O que você disse Mourad?
– C3H5(NO2)3, a fórmula da nitroglicerina!
– Ah! Muito útil! Mas agora sou eu que peço, vamos voltar ao tema, sim! – já tinham ficado horas trocando informações, entre eles havia intimidade o suficiente e seguidamente se pegavam escambando o assunto principal por amenidades.
– Ontem à noite o calor aqui no Cairo estava insuportável! Não deu jeito de dormir.
– O Trabalho de Conclusão ta me endoidando! Mas me formo semestre que vem, se tudo der certo!
– Sim, eu tenho irmã, mas ela não mora mais comigo! Saiu de casa por causa de um cara!
– Não, não tenho namorada, não tem mulher pra mim! E sem essa de coleira, cara! Tô fora!
– Tenho muita vontade de conhecer o Brasil, escreve ai, um dia vou te visitar!
– O que é mesmo ataúde, cara?
– É, eu gosto sim de ouvir musica pop, é pecado?
– Cara, não acredito que eles estão numa boa, a Milena é mulher demais pro César, ele se deu foi bem!
– Tive que trabalhar desde os oito anos, a vida é dura aqui no Egito, mas não me queixo, hoje estou bem no laboratório.
– Ah, Mourad sua família parece bem legal, eu é que não tenho ninguém por mim, sou um ferrado!
Quando percebiam já estavam há horas sem direcionar o rumo da conversa.
– Meu Deus, o tempo voa! Mas sério Mourad, o que vamos fazer para ajudá-los? Estou preocupado!
Um silêncio na linha demonstrou que a dúvida era recíproca. A pausa estendeu-se um pouco mais até que um deles se pronunciou.
– Murilo, eu estive pensando... você poderia invadir o sistema das empresas desse Egmar, assim acessamos o computador pessoal dele, lá deve ter alguma prova dessa múmia atípica,assim poderemos ajudar seus colegas! O que você acha?
– Ótima idéia Mourad – o tom era irônico –, só falta saber como vamos entrar na fortaleza das empresas Martins de Alcântara. Sem contar que eu só sei o básico de informática, invadir sistemas, procurar provas em arquivos codificados, nada disso é pra mim, cara! Não vai rolar, meu!
Mourad respirou fundo, sabia que sua idéia era bem improvável, mas teria que defendê-la – Olha Murilo, calma! Dê um jeito de entrar no prédio da firma, me conecte a um dos computadores da empresa, qualquer computador que através da intranet eu consigo o resto. – Mourad sabia que o que pedia era muito difícil, mas não via outra forma de ajudar, senão aquela.
– Ai, ai, ai, egípciozinho, você quer me por numa roubada! – Murilo tentava em vão amenizar o clima tenso que a conversa tinha tomado, ele já tinha sido convencido, confiava em Mourad.
– Temos cinco horas de diferença entre nossos fusos, eu vou te contatar logo mais quando for noite ai no Brasil. Se empenhe em estar nas empresas do Egmar, sei que não será fácil! Boa sorte, “cara”! – brincou com as gírias que normalmente Murilo usava.
Murilo entendeu o tom de brincadeira, na faculdade já tinha sido repreendido inúmeras vezes pelo uso excessivo de gírias – Valeu cara! Valeu!
Murilo tinha pouco mais de três horas para armar um jeito de entrar no prédio sede da principal empresa de Egmar, era lá que ficava seu escritório particular.
No Cairo, Mourad estava preocupado por incitar Murilo a invadir um escritório privado, no seu país isso seria muito arriscado. A culpa roia-lhe a alma. – não podia ter exigido isso dele. Porque ele me deu ouvidos? – os pensamentos do egípcio turvavam-lhe a mente. Entrou no site oficial da revista Vis-à-Vis e na aba dos funcionários pode verificar o perfil profissional de Murilo, queria ver como era seu novo cúmplice. Murilo estava bem na foto.
O silvo do computador avisando um novo e-mail foi como o canto da sereia, encantou Murilo e remeteu o jovem aquele mundo fantástico que Mourad lhe trazia. Estavam novamente conectados, agora não só em pensamento.
– Pô Mourad, que demora! Não faz mais assim comigo cara!
Do outro lado Mourad abriu a guarda ao ouvir Murilo reclamando por sua presença. O jeito meio bronco e despojado do brasileiro tinha lhe cativado e desfeito as primeiras impressões – Não conectei antes porque não deu! As conexões aqui são quase um milagre! Mas me diga, assimilou tudo que eu disse antes?
– Fala isso como se tivesse me contado a coisa mais corriqueira do mundo, você faz idéia, se for mesmo verdade isso! É nitroglicerina pura! – Murilo permanecia com a mesma empolgação na voz.
– O que você disse Mourad?
– C3H5(NO2)3, a fórmula da nitroglicerina!
– Ah! Muito útil! Mas agora sou eu que peço, vamos voltar ao tema, sim! – já tinham ficado horas trocando informações, entre eles havia intimidade o suficiente e seguidamente se pegavam escambando o assunto principal por amenidades.
– Ontem à noite o calor aqui no Cairo estava insuportável! Não deu jeito de dormir.
– O Trabalho de Conclusão ta me endoidando! Mas me formo semestre que vem, se tudo der certo!
– Sim, eu tenho irmã, mas ela não mora mais comigo! Saiu de casa por causa de um cara!
– Não, não tenho namorada, não tem mulher pra mim! E sem essa de coleira, cara! Tô fora!
– Tenho muita vontade de conhecer o Brasil, escreve ai, um dia vou te visitar!
– O que é mesmo ataúde, cara?
– É, eu gosto sim de ouvir musica pop, é pecado?
– Cara, não acredito que eles estão numa boa, a Milena é mulher demais pro César, ele se deu foi bem!
– Tive que trabalhar desde os oito anos, a vida é dura aqui no Egito, mas não me queixo, hoje estou bem no laboratório.
– Ah, Mourad sua família parece bem legal, eu é que não tenho ninguém por mim, sou um ferrado!
Quando percebiam já estavam há horas sem direcionar o rumo da conversa.
– Meu Deus, o tempo voa! Mas sério Mourad, o que vamos fazer para ajudá-los? Estou preocupado!
Um silêncio na linha demonstrou que a dúvida era recíproca. A pausa estendeu-se um pouco mais até que um deles se pronunciou.
– Murilo, eu estive pensando... você poderia invadir o sistema das empresas desse Egmar, assim acessamos o computador pessoal dele, lá deve ter alguma prova dessa múmia atípica,assim poderemos ajudar seus colegas! O que você acha?
– Ótima idéia Mourad – o tom era irônico –, só falta saber como vamos entrar na fortaleza das empresas Martins de Alcântara. Sem contar que eu só sei o básico de informática, invadir sistemas, procurar provas em arquivos codificados, nada disso é pra mim, cara! Não vai rolar, meu!
Mourad respirou fundo, sabia que sua idéia era bem improvável, mas teria que defendê-la – Olha Murilo, calma! Dê um jeito de entrar no prédio da firma, me conecte a um dos computadores da empresa, qualquer computador que através da intranet eu consigo o resto. – Mourad sabia que o que pedia era muito difícil, mas não via outra forma de ajudar, senão aquela.
– Ai, ai, ai, egípciozinho, você quer me por numa roubada! – Murilo tentava em vão amenizar o clima tenso que a conversa tinha tomado, ele já tinha sido convencido, confiava em Mourad.
– Temos cinco horas de diferença entre nossos fusos, eu vou te contatar logo mais quando for noite ai no Brasil. Se empenhe em estar nas empresas do Egmar, sei que não será fácil! Boa sorte, “cara”! – brincou com as gírias que normalmente Murilo usava.
Murilo entendeu o tom de brincadeira, na faculdade já tinha sido repreendido inúmeras vezes pelo uso excessivo de gírias – Valeu cara! Valeu!
Murilo tinha pouco mais de três horas para armar um jeito de entrar no prédio sede da principal empresa de Egmar, era lá que ficava seu escritório particular.
No Cairo, Mourad estava preocupado por incitar Murilo a invadir um escritório privado, no seu país isso seria muito arriscado. A culpa roia-lhe a alma. – não podia ter exigido isso dele. Porque ele me deu ouvidos? – os pensamentos do egípcio turvavam-lhe a mente. Entrou no site oficial da revista Vis-à-Vis e na aba dos funcionários pode verificar o perfil profissional de Murilo, queria ver como era seu novo cúmplice. Murilo estava bem na foto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário