O dia amanheceu e logo o sol foi escondido por densas nuvens negras, uma grande tempestade parecia se formar sob o céu do Egito. César não conseguia decifrar aquele tipo de clima, com certeza seria uma tempestade muito diferente das tempestades tropicais.
O céu encoberto em tons gris predizia coisas ruins, foi como se o tempo tivesse parado, não circulava um vento sequer. Uma calmaria que anunciava uma grande tormenta. Coriscos cruzavam as nuvens incessantemente, projetos de raios ameaçadores que ainda não caíam na superfície.
As horas que antecediam a fuga e a tentativa de invasão a pirâmide foram sofríveis. Sadeh esperava na tenda de Disebek Djau, enquanto César e Milena permaneciam na prisão aguardando a nova madrugada chegar.
César pretendia passar na tenda principal e pegar algum equipamento que pudesse servir ou ajudar na fuga. Sadeh providenciaria o básico de mantimentos. Nenhum deles tencionava adiar a fuga mesmo sob tempestade, agora corriam apenas contra o tempo.
Os rebeldes estavam agitados, o mau tempo tinha posto todos em alerta, a reação exagerada deles foi um péssimo sinal, a tempestade seria mesmo perigosa. A noite chegou bem mais cedo que o normal, as nuvens já não estavam tão eletricamente carregadas, mas corriam numa velocidade de causar vertigem a quem tentasse acompanhar seu movimento. A tempestade ainda não tinha começado, parecia esperar pela hora da fuga.
De sobreaviso o acampamento custou a adormecer. César e Milena já se preparavam para deixar a tenda quando perceberam a lona que os cobria dando uma leve balançada, imediatamente se olharam tentando confirmar a suspeita.
Balançou outra vez, um pouco mais forte agora. Milena correu para os braços de César, não parecia ser uma tempestade que eles estavam acostumados a enfrentar. Mesmo sem palavras partilhavam o mesmo pavor. Começaram ouvir ao longe o barulho do vento uivando, ele vinha se aproximando rapidamente como o estouro de uma manada.
De repente Sadeh entrou pela porta. Sua fisionomia era reveladora e seu olhar estava ainda mais circunspeto. Ela entrou rapidamente e sacudiu-se para tirar do corpo a areia que havia invadido suas roupas.
– Preparem-se, é uma tempestade de areia! Esse vento todo é uma grande tempestade que está se aproximando rapidamente! Vocês não sabem do que elas são capazes!
O acampamento num repente estava deserto, até por superstição o povo todo costumava se recolher nestas ocasiões, ninguém queria enfrentar ao léu a fúria dos deuses. Todos tentavam se proteger em suas respectivas tendas.
– Em pouco tempo será impossível ficar na rua, essa parece ser uma tempestade violenta. Devemos aproveitar e fugir agora, antes que ela piore! – Sadeh parecia decidida a partir.
Na rua o vento já começara a levantar muita areia. Milena nunca tinha visto algo assim, era assustador. A evolução da tempestade era muito rápida, eles acompanhavam pelo barulho e pelo balançar da tenda que agora já era quase içada pela força do vento.
Os rebeldes que permaneciam antes escondidos agora deixavam suas tendas apavorados com a intensidade que se apresentava o vendaval, corriam de um lado ao outro completamente desorientados; a tenda agora já não parava de balançar e sacudir, o vento zunia com mais força ainda.
A correria era grande e os rebeldes procuravam abrigo enquanto gritavam coisas incompreensíveis. Era assustador o barulho do vento e das areias que se chocavam com força contra a lona, Sadeh, César e Milena se protegeram assustados num canto da tenda.
Realmente ficar ali seria loucura, a barraca não resistiria por muito tempo naquelas condições, César antecipou sua jornada até a barraca principal a fim de granjear algum material de sobrevivência. Não podiam partir sem o mínimo de segurança.
Mesmo com pouca visibilidade, ele conseguiu atravessar o acampamento e encontrar a tenda principal. Como ela era de um material mais resistente que as demais, ali dentro as coisas estavam menos caóticas.
César precisou de algum tempo para se reorientar. Em segurança ajeitou os óculos no rosto e começou a investigar o lugar. Os diversos fios e cabos que se ligavam à antena na rua eram, como ele previa, conectados a um computador que era uma máquina bastante sofisticada e poderosa. Os fios da antena também se conectavam a um radio de comunicação. Alguns dos equipamentos permaneciam ligados com seus leds piscando e brilhando na penumbra. César pensou em tentar contato com a polícia, mas sabia que se o sinal vencesse a tempestade de areia, não venceria a tempestade solar.
O resto do lugar era um pequeno porém sofisticado laboratório. Havia muitas máquinas e equipamentos, estantes com diversos experimentos, muitos tubos de ensaio, misturadores, microscópios, enfim, todos os equipamentos de um laboratório completo. César tentou entender o que era aquilo e pra que serviria no meio de um deserto.
Lembrou que Jaques Gael, além de egiptólogo era também geneticista e estudava as mutações do vírus T-rh. Sobre uma das mesas havia papéis, cálculos, anotações e num bloco sobre a mesa encontrou ainda preso no espiral o resto da folha com o cântico que Gael havia escrito.
– Velho maluco! – César guardou o resto do bilhete e continuou a busca improlífera, ao perceber que a tempestade piorava gradativamente, temendo que se tornasse mais devastadora ainda, apanhou numa das estantes algum material que poderia ser útil, como lanternas e cordas e deixou a tenda.
Milena e Sadeh esperavam ansiosas pelo retorno de César, de repente a barraca onde estavam foi arrancada de uma só vez pelo vento e serpenteada pelo ar. Expostas puderam ver que a tempestade era bem maior que imaginavam, aquela imagem lembrou Milena dos tornados norte-americanos, só que parecia que ela estava no olhos de um deles.
Quase todo acampamento tinha ido pelos ares, e o que continuava no chão estava sendo encoberto rapidamente pelas areias. Era muito grande a nuvem que cercava tudo, deixando impossível permanecer sem um abrigo, era como se toda a areia do chão tomasse vida e estivesse voando sobre eles.
Milena ficou muito assustada, mesmo ao lado de Sadeh mal conseguia vê-la e era inviável qualquer conversa. Logo o acampamento estaria soterrado. Em meio à confusão não pode deixar de pensar se aquilo não seria um sinal das coisas que Egmar poderia estar fazendo dentro da pirâmide.
Por sorte César as encontrou em meio aquele pandemônio. Naquele instante a tenda principal também voou pelos ares. Os três observaram aquela cena quase como se fosse algo em slow motion. Se no laboratório houvesse algum experimento com o vírus Trh-5, com certeza ele estaria agora liberado pelo ar, e com a força daquela tempestade logo todos das proximidades estariam contaminados.
O pensamento de Milena e o de César foi sincrônico, tinham chego à mesma conclusão sobre a possibilidade do T-rh5 ter se liberado no ar. Milena preferiu não contar com essa possibilidade, e se estivessem mesmo contaminados logo saberiam.
Encaminharam-se apressadamente, já tinham perdido tempo demais expostos daquela forma ao mau tempo, teriam que fugir de qualquer forma para a pirâmide.
O vento e a areia que batia com força contra eles não ajudou, mas logo chegaram a base da pirâmide, que de perto era muito maior que imaginavam. A onipotência do monumento causou em Milena um estranho pressentimento, um calafrio lhe gelou a alma e algo lhe dizia que ali, naquela pirâmide não estava somente o tumulo do Faraó, mas também parte importante de sua vida e de sua morte. – Que ridículo! Sou uma boba! – pensou tratando de livrar-se dos pensamentos. Nenhum outro rebelde se refugiou ali, eles preferiam a fúria das areias que um abrigo maldito. César procurava uma entrada contornando a pirâmide.
– Por aqui! Por aqui! – ele havia encontrado uma pequena passagem, Milena respirou fundo tentando certificar-se de que aquilo era mesmo o certo a se fazer.
Sem outra alternativa, espremeu-se para entrar na pequena fenda, que com certeza não era a entrada principal daquele sepulcro. Sadeh entrou depois e em seguida César. Agora era definitivo, estavam nos domínios do Faraó Desconhecido.
As horas que antecediam a fuga e a tentativa de invasão a pirâmide foram sofríveis. Sadeh esperava na tenda de Disebek Djau, enquanto César e Milena permaneciam na prisão aguardando a nova madrugada chegar.
César pretendia passar na tenda principal e pegar algum equipamento que pudesse servir ou ajudar na fuga. Sadeh providenciaria o básico de mantimentos. Nenhum deles tencionava adiar a fuga mesmo sob tempestade, agora corriam apenas contra o tempo.
Os rebeldes estavam agitados, o mau tempo tinha posto todos em alerta, a reação exagerada deles foi um péssimo sinal, a tempestade seria mesmo perigosa. A noite chegou bem mais cedo que o normal, as nuvens já não estavam tão eletricamente carregadas, mas corriam numa velocidade de causar vertigem a quem tentasse acompanhar seu movimento. A tempestade ainda não tinha começado, parecia esperar pela hora da fuga.
De sobreaviso o acampamento custou a adormecer. César e Milena já se preparavam para deixar a tenda quando perceberam a lona que os cobria dando uma leve balançada, imediatamente se olharam tentando confirmar a suspeita.
Balançou outra vez, um pouco mais forte agora. Milena correu para os braços de César, não parecia ser uma tempestade que eles estavam acostumados a enfrentar. Mesmo sem palavras partilhavam o mesmo pavor. Começaram ouvir ao longe o barulho do vento uivando, ele vinha se aproximando rapidamente como o estouro de uma manada.
De repente Sadeh entrou pela porta. Sua fisionomia era reveladora e seu olhar estava ainda mais circunspeto. Ela entrou rapidamente e sacudiu-se para tirar do corpo a areia que havia invadido suas roupas.
– Preparem-se, é uma tempestade de areia! Esse vento todo é uma grande tempestade que está se aproximando rapidamente! Vocês não sabem do que elas são capazes!O acampamento num repente estava deserto, até por superstição o povo todo costumava se recolher nestas ocasiões, ninguém queria enfrentar ao léu a fúria dos deuses. Todos tentavam se proteger em suas respectivas tendas.
– Em pouco tempo será impossível ficar na rua, essa parece ser uma tempestade violenta. Devemos aproveitar e fugir agora, antes que ela piore! – Sadeh parecia decidida a partir.
Na rua o vento já começara a levantar muita areia. Milena nunca tinha visto algo assim, era assustador. A evolução da tempestade era muito rápida, eles acompanhavam pelo barulho e pelo balançar da tenda que agora já era quase içada pela força do vento.
Os rebeldes que permaneciam antes escondidos agora deixavam suas tendas apavorados com a intensidade que se apresentava o vendaval, corriam de um lado ao outro completamente desorientados; a tenda agora já não parava de balançar e sacudir, o vento zunia com mais força ainda.
A correria era grande e os rebeldes procuravam abrigo enquanto gritavam coisas incompreensíveis. Era assustador o barulho do vento e das areias que se chocavam com força contra a lona, Sadeh, César e Milena se protegeram assustados num canto da tenda.Realmente ficar ali seria loucura, a barraca não resistiria por muito tempo naquelas condições, César antecipou sua jornada até a barraca principal a fim de granjear algum material de sobrevivência. Não podiam partir sem o mínimo de segurança.
Mesmo com pouca visibilidade, ele conseguiu atravessar o acampamento e encontrar a tenda principal. Como ela era de um material mais resistente que as demais, ali dentro as coisas estavam menos caóticas.
César precisou de algum tempo para se reorientar. Em segurança ajeitou os óculos no rosto e começou a investigar o lugar. Os diversos fios e cabos que se ligavam à antena na rua eram, como ele previa, conectados a um computador que era uma máquina bastante sofisticada e poderosa. Os fios da antena também se conectavam a um radio de comunicação. Alguns dos equipamentos permaneciam ligados com seus leds piscando e brilhando na penumbra. César pensou em tentar contato com a polícia, mas sabia que se o sinal vencesse a tempestade de areia, não venceria a tempestade solar.
O resto do lugar era um pequeno porém sofisticado laboratório. Havia muitas máquinas e equipamentos, estantes com diversos experimentos, muitos tubos de ensaio, misturadores, microscópios, enfim, todos os equipamentos de um laboratório completo. César tentou entender o que era aquilo e pra que serviria no meio de um deserto.
Lembrou que Jaques Gael, além de egiptólogo era também geneticista e estudava as mutações do vírus T-rh. Sobre uma das mesas havia papéis, cálculos, anotações e num bloco sobre a mesa encontrou ainda preso no espiral o resto da folha com o cântico que Gael havia escrito.
“... o que é teu e depois disso eu nunca mais serei eu. Não sei o que da vida farei, mas ao Faraó nunca deixarei. Destruí aquele que não tem crença, que ele pereça na pior doença. Que a dor o leve embora, que se vá pra sempre e agora. Inofensiva seja a praga pro varão, e que diga ao ímpio um sonoro não. Tenham fé desde cedo, pra que mais tarde não tenham medo.”
– Velho maluco! – César guardou o resto do bilhete e continuou a busca improlífera, ao perceber que a tempestade piorava gradativamente, temendo que se tornasse mais devastadora ainda, apanhou numa das estantes algum material que poderia ser útil, como lanternas e cordas e deixou a tenda.
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Milena e Sadeh esperavam ansiosas pelo retorno de César, de repente a barraca onde estavam foi arrancada de uma só vez pelo vento e serpenteada pelo ar. Expostas puderam ver que a tempestade era bem maior que imaginavam, aquela imagem lembrou Milena dos tornados norte-americanos, só que parecia que ela estava no olhos de um deles.
Quase todo acampamento tinha ido pelos ares, e o que continuava no chão estava sendo encoberto rapidamente pelas areias. Era muito grande a nuvem que cercava tudo, deixando impossível permanecer sem um abrigo, era como se toda a areia do chão tomasse vida e estivesse voando sobre eles.
Milena ficou muito assustada, mesmo ao lado de Sadeh mal conseguia vê-la e era inviável qualquer conversa. Logo o acampamento estaria soterrado. Em meio à confusão não pode deixar de pensar se aquilo não seria um sinal das coisas que Egmar poderia estar fazendo dentro da pirâmide.
Por sorte César as encontrou em meio aquele pandemônio. Naquele instante a tenda principal também voou pelos ares. Os três observaram aquela cena quase como se fosse algo em slow motion. Se no laboratório houvesse algum experimento com o vírus Trh-5, com certeza ele estaria agora liberado pelo ar, e com a força daquela tempestade logo todos das proximidades estariam contaminados.
O pensamento de Milena e o de César foi sincrônico, tinham chego à mesma conclusão sobre a possibilidade do T-rh5 ter se liberado no ar. Milena preferiu não contar com essa possibilidade, e se estivessem mesmo contaminados logo saberiam.
Encaminharam-se apressadamente, já tinham perdido tempo demais expostos daquela forma ao mau tempo, teriam que fugir de qualquer forma para a pirâmide.
O vento e a areia que batia com força contra eles não ajudou, mas logo chegaram a base da pirâmide, que de perto era muito maior que imaginavam. A onipotência do monumento causou em Milena um estranho pressentimento, um calafrio lhe gelou a alma e algo lhe dizia que ali, naquela pirâmide não estava somente o tumulo do Faraó, mas também parte importante de sua vida e de sua morte. – Que ridículo! Sou uma boba! – pensou tratando de livrar-se dos pensamentos. Nenhum outro rebelde se refugiou ali, eles preferiam a fúria das areias que um abrigo maldito. César procurava uma entrada contornando a pirâmide.
– Por aqui! Por aqui! – ele havia encontrado uma pequena passagem, Milena respirou fundo tentando certificar-se de que aquilo era mesmo o certo a se fazer.Sem outra alternativa, espremeu-se para entrar na pequena fenda, que com certeza não era a entrada principal daquele sepulcro. Sadeh entrou depois e em seguida César. Agora era definitivo, estavam nos domínios do Faraó Desconhecido.
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