Nenhuma das associações de Milena pareciam ter sentido, resolveu acabar logo com aquele dilema e sofrimento, decidiu-se finalmente pela esquerda. Ela pensou que girando naquele sentido a insígnia poderia revelar a própria Câmara de Ressurreição e lá encontraria o antídoto para salvar a vida de Sadeh.
Forçou a pedra com cuidado para que não se esfarelasse, aos poucos a rocha foi cedendo e girando vagarosamente.
Menos de uma volta completa e trancou, Milena quase sem respirar esperava algum acontecimento. Cada segundo pareceu uma nova eternidade, presumiu que o pior aconteceria, lembrou novamente da lei de Murphy. Tudo já tinha dado errado mesmo, e morrer não seria uma idéia tão ruim há essa altura dos acontecimentos.
De repente alguns ruídos lhe trouxeram a realidade. Eram barulhos de pedras se movendo vagarosamente, depois de outro ruído e de um outro mais forte e alto ainda, começou a escorrer areia de uma fenda no teto; logo um outro ruído e outra fenda se revelou, mais areia começava a escorrer para dentro da sala. Morrer soterrada, não era esse o plano da jornalista.
Passou a ser cada vez maior a quantidade de areia enchendo o lugar rapidamente, na certa Milena tinha acionado uma armadilha e logo estaria enterrada viva com os pulmões cheios de areia.
Quase em meio a uma crise de pânico, Milena tentou alcançar desesperadamente a passagem por onde entrara, então percebeu que na verdade não havia acionado uma armadilha, mas sim um sistema que a tiraria dali, pois com a areia que se acumulava no chão logo poderia alcançar o túnel por onde tinha entrado.
Ficou eufórica por não ter sido soterrada, não via a hora de sair daquele lugar. No entanto as pedras ainda não haviam parado de se mover e logo revelaram outra surpresa.
Um estrondo forte chamou sua atenção, era de uma pedra maior que foi cedendo e acabou sucumbindo ao chão. Toda aquela areia escorrendo tinha aliviado um contrapeso liberando a pedra que servia antes como parede da sala. Uma abertura se revelou exatamente por onde os insetos cruzavam. Milena tinha descoberto uma pequena passagem, um atalho secreto, que pelo jeito a levaria direto para Câmara da Ressurreição.
Agora sim tinha ficado eufórica, afinal apesar do susto, estava sendo mais fácil que imaginava. A pequena fenda revelada dava acesso a um corredor.
Novamente sentia aquele ar abafado, de algo que lhe lembrava o cheiro de enxofre. A iluminação era precária, melhor, assim ela não via a enorme quantidade de vermes que se arrastavam pelo chão. – Mas de onde vieram essas criaturas? Como elas vivem aqui? – essas eram as perguntas que seu lado prático teimava em fazer, mesmo sabendo que ficariam para sempre suspensas, sem resposta.
Livrou-se das teias de aranha que embarreiravam o caminho e seguiu confiante pelo túnel abafado e estreito. Foi caminhando, e cada vez o corredor ia se estreitando mais e mais. Sua confiança ia diminuindo junto com o corredor que se afunilava, afinal tinha pouco tempo para salvar Sadeh.
Quando já estava quase andando agachada, o túnel novamente alargou-se e revelou uma enorme porta. Milena nunca tinha visto algo assim, era uma porta em ouro ricamente trabalhada. Estava ornamentada com hieróglifos e simbolos egipcíos com mais de 4.500 anos.
Somente aquela porta já deveria valer uma verdadeira fortuna. Se os planos de Egmar em ressuscitar o Faraó se frustrassem, como ela acreditava, ainda assim ele lucraria muitíssimo.
Milena lembrou que tinha que sair viva dali para denunciá-lo, ele não poderia sair impune depois de tantas mortes. Somente no hotel, Egmar havia exterminado quinze pessoas, e quantas mais ele não teria matado em seu percurso até hoje?
Deixou esse momento de abstração para mais tarde, sem dúvida era Câmara da Ressurreição atrás daquela porta, só queria que César estivesse ali para traduzir aqueles muitos dizeres. Ela não tinha a menor idéia de como abrir a porta, mesmo porque poderia acionar diversas armadilhas na tentativa. Procurou algum tipo de mecanismo que resolvesse o problema.
Analisou por alguns minutos toda enorme estrutura, alguma lógica teria que existir. Notou uma seqüência matemática, ou algo semelhante. Milena fez alguns cálculos com os desenhos encontrados, mas não conseguiu enxergar nenhuma resposta. Os egípcios eram grandes matemáticos, sua mente cansada e estressada jamais conseguiria entender suas lógicas. Outra vez teria que se valer da intuição feminina.
Havia duas pedras salientes, uma de cada lado da porta, estavam proposital e visivelmente destacadas. As inscrições certamente revelavam qual delas deveria ser empurrada primeiro, para não acionar nenhuma armadilha. Executando a ordem correta, a porta seria destravada sem grandes problemas.
Não pode evitar a lembrança de algo que Egmar havia lhe revelado alguns dias atrás: “Essa pirâmide era muito maior que as outras encontradas, e seus sistemas de proteção são de altíssima eficiência, perdemos cerca de seis cientistas em terríveis armadilhas!”.
Não tinha mais tempo para perder em pensamentos e suposições. Resignada pela falta de informações se dirigiu à pedra da direita. Milena sabia no que aquela atitude implicava, poderia por um fim abreviado na sua viagem e concluir com um epílogo indesejável sua biografia.
Com a força das duas mãos empurrou a pedra e foi deslocando-a morosamente para dentro da parede. Não foi difícil empurrar totalmente a rocha que esperava a quatro mil anos que alguém fizesse aquilo. Milena estava cheia de esperança, não seria uma simples armadilha a matar seus sonhos.
Antes que pudesse avaliar o que acontecia, uma densa nuvem de poeira branco-metálica saiu da parede na altura de seu rosto. Foi tão rápido e surpreendente que não conseguiu sequer desviar a face do vento estranho e impetuoso. Aquele vapor era, certamente, um veneno ou algo tóxico. Tentou não respirar o gás, mas seu jato fora tão intenso e célere que se tornou impossível não aspirá-lo um pouco que fosse.
Mais pelo susto, do que por qualquer efeito da droga Milena começou a tossir excessivamente. Logo o que era um efeito psicológico do veneno transformou-se em real. Sentiu a traquéia se contrair vigorosamente, dificultando a respiração. Quase ao mesmo tempo os pulmões também começavam a perder sua capacidade respiratória queimados pelo vapor, ou poeira que tinha aspirado. O veneno atacou diretamente as vias respiratórias. Estudos indicavam o uso de material radioativo em armadilhas feitas pelos egípcios, realmente eles tinham um conhecimento surpreendente.
Milena jogou-se no chão se debatendo, rasgando suas roupas numa tentativa inútil de melhorar e aliviar a respiração. Embora aquilo estivesse acontecendo há alguns segundos, sentia-se agonizando há horas.
Já pensava em desistir de lutar e entregar sua alma de uma vez a maldição da pirâmide, mas de repente uma voz conhecida. Sentiu uma pressão estranha em seus braços, seu corpo foi sacudido com violência.
– Milena! Reage! – era a voz de César, aos poucos Milena sentia a respiração se normalizar. Ele a sacudia para que recobrasse a consciência.
Milena continuava deitada no chão e não entendia o que se passava ali. Ao abrir os olhos viu o rosto apreensivo de César e Sadeh observando-a com preocupação. Levou algum tempo para recuperar o fôlego e a consciência completamente. Deu-se por conta que estava no mesmo lugar em que César e Sadeh a haviam deixado.
– Você está bem? O que houve? – César a abraçou aliviado – Estávamos preocupados com você!
Sadeh sentou-se no chão também, parecia agora mais tranqüila. – Não faz isso de novo, por favor!
César continuou: – Eu sai um instante atrás de Sadeh, ela já vinha voltando com as pilhas, quando chegamos você estava aqui desmaiada. – César apontou no chão para um escorpião morto – Aquele bichinho ali te picou, você deve ter se assustado!
Sadeh interferiu antes que Milena se apavorasse com o fato de ter sido picada – Pode ficar calma, esses escorpiões negros são perigosos sim, mas apenas uma picada não mata ninguém. Um desses me picou logo que vim pro acampamento – ela mostrou a marca na perna, por coincidência bem onde a serpente tinha picado Sadeh no devaneio de Milena – O veneno quase sempre é alucinógeno, mas assim que corpo o absorve tudo fica bem. O próprio organismo produz uma antitoxina. – todos se surpreenderam com a explicação quase técnica de Sadeh – Foi o Sr. Gael quem me explicou! Foi ele quem cuidou de mim! Eu tive alucinações terríveis!
Milena contou sem detalhes o que havia sonhado, queria logo esquecer aquele terrível pesadelo.
César segurou o rosto de Milena com as duas mãos e falou bem próximo a sua boca – Agora cuida, viu! Se mais dois desses bichos tivessem te picado, era eu quem estaria correndo atrás da Câmara de Ressurreição pra te salvar!
Os três riram num único momento de descontração desde que haviam entrado nos domínios do Faraó. César estava duplamente aliviado, ao ver Milena inconsciente lembrou da possibilidade do vírus T-rh5 deflagrar-se na região, por sorte não era o caso.
Menos de uma volta completa e trancou, Milena quase sem respirar esperava algum acontecimento. Cada segundo pareceu uma nova eternidade, presumiu que o pior aconteceria, lembrou novamente da lei de Murphy. Tudo já tinha dado errado mesmo, e morrer não seria uma idéia tão ruim há essa altura dos acontecimentos.
De repente alguns ruídos lhe trouxeram a realidade. Eram barulhos de pedras se movendo vagarosamente, depois de outro ruído e de um outro mais forte e alto ainda, começou a escorrer areia de uma fenda no teto; logo um outro ruído e outra fenda se revelou, mais areia começava a escorrer para dentro da sala. Morrer soterrada, não era esse o plano da jornalista.
Passou a ser cada vez maior a quantidade de areia enchendo o lugar rapidamente, na certa Milena tinha acionado uma armadilha e logo estaria enterrada viva com os pulmões cheios de areia.
Quase em meio a uma crise de pânico, Milena tentou alcançar desesperadamente a passagem por onde entrara, então percebeu que na verdade não havia acionado uma armadilha, mas sim um sistema que a tiraria dali, pois com a areia que se acumulava no chão logo poderia alcançar o túnel por onde tinha entrado.
Ficou eufórica por não ter sido soterrada, não via a hora de sair daquele lugar. No entanto as pedras ainda não haviam parado de se mover e logo revelaram outra surpresa.
Um estrondo forte chamou sua atenção, era de uma pedra maior que foi cedendo e acabou sucumbindo ao chão. Toda aquela areia escorrendo tinha aliviado um contrapeso liberando a pedra que servia antes como parede da sala. Uma abertura se revelou exatamente por onde os insetos cruzavam. Milena tinha descoberto uma pequena passagem, um atalho secreto, que pelo jeito a levaria direto para Câmara da Ressurreição.
Agora sim tinha ficado eufórica, afinal apesar do susto, estava sendo mais fácil que imaginava. A pequena fenda revelada dava acesso a um corredor.
Novamente sentia aquele ar abafado, de algo que lhe lembrava o cheiro de enxofre. A iluminação era precária, melhor, assim ela não via a enorme quantidade de vermes que se arrastavam pelo chão. – Mas de onde vieram essas criaturas? Como elas vivem aqui? – essas eram as perguntas que seu lado prático teimava em fazer, mesmo sabendo que ficariam para sempre suspensas, sem resposta.Livrou-se das teias de aranha que embarreiravam o caminho e seguiu confiante pelo túnel abafado e estreito. Foi caminhando, e cada vez o corredor ia se estreitando mais e mais. Sua confiança ia diminuindo junto com o corredor que se afunilava, afinal tinha pouco tempo para salvar Sadeh.
Quando já estava quase andando agachada, o túnel novamente alargou-se e revelou uma enorme porta. Milena nunca tinha visto algo assim, era uma porta em ouro ricamente trabalhada. Estava ornamentada com hieróglifos e simbolos egipcíos com mais de 4.500 anos.
Somente aquela porta já deveria valer uma verdadeira fortuna. Se os planos de Egmar em ressuscitar o Faraó se frustrassem, como ela acreditava, ainda assim ele lucraria muitíssimo.Milena lembrou que tinha que sair viva dali para denunciá-lo, ele não poderia sair impune depois de tantas mortes. Somente no hotel, Egmar havia exterminado quinze pessoas, e quantas mais ele não teria matado em seu percurso até hoje?
Deixou esse momento de abstração para mais tarde, sem dúvida era Câmara da Ressurreição atrás daquela porta, só queria que César estivesse ali para traduzir aqueles muitos dizeres. Ela não tinha a menor idéia de como abrir a porta, mesmo porque poderia acionar diversas armadilhas na tentativa. Procurou algum tipo de mecanismo que resolvesse o problema.
Analisou por alguns minutos toda enorme estrutura, alguma lógica teria que existir. Notou uma seqüência matemática, ou algo semelhante. Milena fez alguns cálculos com os desenhos encontrados, mas não conseguiu enxergar nenhuma resposta. Os egípcios eram grandes matemáticos, sua mente cansada e estressada jamais conseguiria entender suas lógicas. Outra vez teria que se valer da intuição feminina.
Havia duas pedras salientes, uma de cada lado da porta, estavam proposital e visivelmente destacadas. As inscrições certamente revelavam qual delas deveria ser empurrada primeiro, para não acionar nenhuma armadilha. Executando a ordem correta, a porta seria destravada sem grandes problemas.
Não pode evitar a lembrança de algo que Egmar havia lhe revelado alguns dias atrás: “Essa pirâmide era muito maior que as outras encontradas, e seus sistemas de proteção são de altíssima eficiência, perdemos cerca de seis cientistas em terríveis armadilhas!”.
Não tinha mais tempo para perder em pensamentos e suposições. Resignada pela falta de informações se dirigiu à pedra da direita. Milena sabia no que aquela atitude implicava, poderia por um fim abreviado na sua viagem e concluir com um epílogo indesejável sua biografia.
Com a força das duas mãos empurrou a pedra e foi deslocando-a morosamente para dentro da parede. Não foi difícil empurrar totalmente a rocha que esperava a quatro mil anos que alguém fizesse aquilo. Milena estava cheia de esperança, não seria uma simples armadilha a matar seus sonhos.
Antes que pudesse avaliar o que acontecia, uma densa nuvem de poeira branco-metálica saiu da parede na altura de seu rosto. Foi tão rápido e surpreendente que não conseguiu sequer desviar a face do vento estranho e impetuoso. Aquele vapor era, certamente, um veneno ou algo tóxico. Tentou não respirar o gás, mas seu jato fora tão intenso e célere que se tornou impossível não aspirá-lo um pouco que fosse.Mais pelo susto, do que por qualquer efeito da droga Milena começou a tossir excessivamente. Logo o que era um efeito psicológico do veneno transformou-se em real. Sentiu a traquéia se contrair vigorosamente, dificultando a respiração. Quase ao mesmo tempo os pulmões também começavam a perder sua capacidade respiratória queimados pelo vapor, ou poeira que tinha aspirado. O veneno atacou diretamente as vias respiratórias. Estudos indicavam o uso de material radioativo em armadilhas feitas pelos egípcios, realmente eles tinham um conhecimento surpreendente.
Milena jogou-se no chão se debatendo, rasgando suas roupas numa tentativa inútil de melhorar e aliviar a respiração. Embora aquilo estivesse acontecendo há alguns segundos, sentia-se agonizando há horas.
Já pensava em desistir de lutar e entregar sua alma de uma vez a maldição da pirâmide, mas de repente uma voz conhecida. Sentiu uma pressão estranha em seus braços, seu corpo foi sacudido com violência.
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– Milena! Reage! – era a voz de César, aos poucos Milena sentia a respiração se normalizar. Ele a sacudia para que recobrasse a consciência.
Milena continuava deitada no chão e não entendia o que se passava ali. Ao abrir os olhos viu o rosto apreensivo de César e Sadeh observando-a com preocupação. Levou algum tempo para recuperar o fôlego e a consciência completamente. Deu-se por conta que estava no mesmo lugar em que César e Sadeh a haviam deixado.
– Você está bem? O que houve? – César a abraçou aliviado – Estávamos preocupados com você!
Sadeh sentou-se no chão também, parecia agora mais tranqüila. – Não faz isso de novo, por favor!
César continuou: – Eu sai um instante atrás de Sadeh, ela já vinha voltando com as pilhas, quando chegamos você estava aqui desmaiada. – César apontou no chão para um escorpião morto – Aquele bichinho ali te picou, você deve ter se assustado!Sadeh interferiu antes que Milena se apavorasse com o fato de ter sido picada – Pode ficar calma, esses escorpiões negros são perigosos sim, mas apenas uma picada não mata ninguém. Um desses me picou logo que vim pro acampamento – ela mostrou a marca na perna, por coincidência bem onde a serpente tinha picado Sadeh no devaneio de Milena – O veneno quase sempre é alucinógeno, mas assim que corpo o absorve tudo fica bem. O próprio organismo produz uma antitoxina. – todos se surpreenderam com a explicação quase técnica de Sadeh – Foi o Sr. Gael quem me explicou! Foi ele quem cuidou de mim! Eu tive alucinações terríveis!
Milena contou sem detalhes o que havia sonhado, queria logo esquecer aquele terrível pesadelo.
César segurou o rosto de Milena com as duas mãos e falou bem próximo a sua boca – Agora cuida, viu! Se mais dois desses bichos tivessem te picado, era eu quem estaria correndo atrás da Câmara de Ressurreição pra te salvar!
Os três riram num único momento de descontração desde que haviam entrado nos domínios do Faraó. César estava duplamente aliviado, ao ver Milena inconsciente lembrou da possibilidade do vírus T-rh5 deflagrar-se na região, por sorte não era o caso.
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